terça-feira, 5 de agosto de 2014


Experiência II


Escola Vocacionais:

"Nem todo mundo retorna à escola onde estudou de arma na mão: alguns preferem câmeras cinematográficas. É o caso do diretor Toni Venturi ( O velho, Latitude Zero ), que relata emVocacional: uma aventura humana (2011), recém-exibido no festival de documentários É Tudo Verdade, a experiência dirigida pela educadora Maria Nilde Mascellani nos anos 60. 

A partir de 1962, Maria Nilde, ex-aluna de Florestan Fernandes, foi mentora da proposta dos ginásios vocacionais, implantada em seis unidades da rede pública paulista, tendo como objetivo uma formação que contemplasse aspectos variados do conhecimento, visando a fazer do educando sujeito de sua história, em consonância com o personalismo do filósofo francês Emmanuel Mounier (1905-1950).

Numa época de grande experimentação, os vocacionais introduziram novidades hoje comuns, como o estudo do meio e a pedagogia de projetos, além de disciplinas complementares voltadas ao mundo do trabalho (artes industriais, economia doméstica etc.).

No filme, Venturi mistura uma narrativa em primeira pessoa a imagens de arquivo (há quatro filmes sobre os vocacionais e muito material fotográfico) e depoimentos de ex-alunos e ex-professores. Na grande maioria, daqueles que estudaram na unidade do Brooklin, na capital (Escola Estadual Oswaldo Aranha). 

Discurso e memória afetiva 
A unir esses elementos, o diretor constrói um discurso de defesa da qualidade da escola pública, citando a experiência como exemplo do que poderia ser a educação e questionando o porquê de seu fim, decretado pela ditadura militar. Nessa construção, relata diferenciais da escola, como a dedicação exclusiva dos professores, os seis meses de treinamento que antecediam o ingresso na docência, os salários por vezes maiores que de seus pares da universidade, o trabalho concebido de forma coletiva, o clima libertário. 

Em vários depoimentos, muitos mencionam a chave do projeto: o ideal de formar alunos críticos, questionadores, que soubessem pensar. Mas, apesar de suas boas intenções, Vocacional parece distanciar-se do cerne do objeto que analisa: eivado pelo clima da memória afetiva, o filme mais afirma do que pergunta; usa a música para ganhar a adesão emocional do espectador; mostra apenas alunos bem-sucedidos na vida; faz das imagens de arquivo ilustrações do discurso verbal e não deixa margem para que o espectador tire suas conclusões sobre a proposta, entregando-as prontas. Acaba, em contradição com o que defende, ancorando-se numa retórica tradicional."

Para aqueles que se interessarem, há alguns documentários muito interessante.

3 comentários:

  1. Para aqueles que se interessarem....
    https://docs.google.com/file/d/0B5FQnWvmgvsFWk1obzd2M0NONmM/edit?pli=1

    Conheci esse sistema de ensino por meio de uma Excelente professora, Lygiane Vieira, Atualmente lecionando na UFG e PUC.

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  2. De fato a escola deveria ser esse lugar onde quereríamos voltar como ex- alunos, talvez com nossos filhos para lhes mostrar o valor que uma escola tem de transformar sonhos em realidade, onde poderíamos ter liberdade de pensar e repensar, que nos conferisse critícidade. A escola da ponte como disse Ruben Alves, é bem isso asas e não gaiola. Sonhos são possíveis depende de cada professor ter a capacidade de ver o sujeito (aluno), como um ser integral, capaz de ser e agir.

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  3. Interessantíssimo o blog Valmi Junior!!! Em especial, adorei a postagem -ESCOLAS VOCACIONAIS." Nem todo mundo retorna à escola onde estudou de arma na mão". Essa fala me levou a reflexão. Perceber através da aventura vivida por Maria Nilde que a ideia de formar sujeitos autônomos e pensantes não é recente. A proposta do ensino através de projetos e trabalhos interdisciplinares já era uma prática desafiadora em 1962. É bem verdade que, ainda hoje, encontramos profissionais da educação com práticas arcaicas e sem inovações. Porém, encontramos em nosso meio, educadores que desenvolve trabalhos brilhantes e colaboram ,de fato, para a formação plena de seus alunos. Colocam em prática ideias de Paulo Freire, Vitor Paro, Anísio Teixeira e formam escolas democráticas como propõe Demerval Saviani.

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